Quem sou eu

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- O que escrevo? Não sei. Só sei que minha alma grita e eu já não posso mais abafar nem conter essa ânsia.

quinta-feira, abril 30, 2015

quem sou eu para te impedir o mundo

mas eu só queria
que tu olhasses
para mim, um pouco,
além de ti
e entendesses 
que aqui também
bate um desejo

terça-feira, abril 28, 2015

eu te sei


sensação amparo
o amor subjaz
nessa tua languidez materna
entreaberta que me
examina complacente a testa e o pé
e o coração enquanto eu
te sorrio sem perceber
//o amor tudo sabe tudo vê

terça-feira, abril 21, 2015

sintoma

amo escancaradamente
no plural

o amor é um sintoma
de quem está vivo

diagnóstico de quem vive 
plenamente

quinta-feira, abril 16, 2015

segunda-feira, abril 13, 2015

isto também é dizer amor


quando ela fala
é como se um anjo
pousasse-lhe na língua

⊷ ⊶

cisco sigo
sismo e curo
sigo só: medito

            ⊷ ⊶

essa faca
afiada desafia
minha poesia desafinada

            ⊷ ⊶

no princípio     no precipício
era o fim           o começo

sexta-feira, abril 10, 2015

ame-o e deixe-o

tenho em mim
o grito de liberdade
solto em meu sorriso

dou o direito
do meu amor
ser livre para amar

/o teu também


quinta-feira, abril 09, 2015

não-convencional

minha preocupação literária
não é com rotulações
definições em estantes
mercado editorial

meu compromisso
é com o ser humano
que possa vir a ler isto

meu compromisso
também é comigo

eu não sei fazer outra coisa
se não criar laços vínculos
me comprometer com o outro

de uma forma não-convencional
sem visitações nem telefonemas
meu comprometimento é espiritual
de toda forma e gesto – palavra

meu compromisso é amar
amar o outro que respira

a literatura me fez amar
os poemas os poetas
o ser humano e a vida

a poesia me fez amar
a filosofia a medicina
a morte e outra vez: a vida

a poesia me fez amar
e é amor que faço aqui
quando ocupo linhas
com palavras que pego para mim

meu compromisso é
com tua essência
mais profunda do que a genética
e te amo porque existes

terça-feira, abril 07, 2015

tortura lírica numa madrugada de abril repleta de mosquito grilo e amor

avesso isso exo expresso
aviso aquilo nego enxergo
vaso complico apego disperso
asco asco asco asco asco
vasto mim submerso

uma sacola de sentimentos soltos
recortados de revistas jornais
tudo o que meu olhar penetrar
reviro do avesso
cada aperto
eu me converto
num poema inanimado
enterrado corpo inteiro
um salto um berro me ajoelho
o eco absoluto num deserto
eu grão de sal
um grão de areia de sal
um grão de sal de areia
único na imensidão
esquecida de ícaro
imerso no aterro
desnivelado da minha
tortura lírica
convoco prismas budas e caducos xucros
iansãs maçãs e xamãs
tudo que reza feito imãs
adoço corações amargos
com pitadas de sarcasmos
comecei comigo
acabo contigo
morro conosco
nasço enquanto
nosso tempo, poetinha:
é sempre


segunda-feira, abril 06, 2015

bashô me disse

ássana

esse poema
escrito em sânscrito
fala de dor e encanto
     
ássana

em sânscrito
até eu viro santo
     
ássana

conhecedor do meu dilema
sou mestre numa
rua em diadema
     
ássana

ouço vou
digo sou:
norte de mim
     
ássana

incenso cheira
na quadratura mutável
que em mim anseia
     
ássana

medito dentro
fora de mim
amanheço

domingo, abril 05, 2015

to relive poesia

VIVER
IVER
VER
ER
REVIVER
EVIVER
VIVER
IVER
VER
ER
R

inventar a vida
quantas vezes
preciso for
poesia

quarta-feira, abril 01, 2015

uma mulher não cospe catarro na pia do banheiro


uma mulher não pode
 comentar sobre futebol
que vem 25 solicitações de amizade
masculinas no facebook como se ela fosse
motivo exclusivo de exposição
na vitrine para um bando
de abobalhado observar e julgar
suas preferências futebolísticas
colocando-a à prova
de tempo em tempo
para assinar o atestado de
que essa mulher
essa mulherzinha
não entende nada de futebol
porque uma mulher não pode
angélica freitas sabe
uma mulher não pode e não deve
caminhar na mesma calçada
em que o homem caminha
uma mulher não pode
pisar no mesmo gramado
em que o homem pisa e cospe e coça o saco
uma mulher não pode
se ela for machorra aí
ela tem o atestado
a prova do crime e o sapato
mas também ela está
em outra categoria
não é mulher
porque mulher não pode
deitar com outra mulher
gostar de futebol
quiçá comentar sobre
a lésbica não é mulher
é outra outro tipo
uma mulher não pode
angélica freitas bem sabe
uma mulher não pode nem deve
se faz é suja porca e sapatão
uma mulher que se respeite
não fala sobre futebol
só alcança a cerveja para quem entende
e vai dormir cheirosinha mudinha
sem coçar a boceta
sem soltar a calcinha apertadinha
sem cuspir o catarro na pia do banheiro
nem pensar não não não
uma mulher não pode
uma mulher não pode