Quem sou eu

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- O que escrevo? Não sei. Só sei que minha alma grita e eu já não posso mais abafar nem conter essa ânsia.

sábado, fevereiro 28, 2015

segunda-feira, fevereiro 23, 2015

praticando zazen enquanto caminho no centro de satolep

por que insisto
em desviar o olhar de ti
      que me espelha?

serei de fato essa mulher
tão infeliz
      comigo mesma
que não sou capaz de suportar
enxergar-me em ti
quando de frente vens a mim?

serei eu essa dor
fugindo dos teus olhos
em meio a escandalosa
chuva de verão
que n'outro dia inundou
a cidade inteira?

universo,
perdoe minha falta de brio

quinta-feira, fevereiro 19, 2015

vestígios no escuro sobre o poema anímico

sou traça
sem casulo

devorando os papéis
com o teu nome
nos poemas

que ainda nem fiz


sou traça
trago voo
sem rumo
me transformo

sumo
no mar e pouso

no escuro
fundo de mim
existo




quarta-feira, fevereiro 18, 2015

sambinha da quarta-feira de cinzas

o que será
o que será
o que foi me acontecer?

por que será
por que será
que eu só penso em você?

terça-feira, fevereiro 17, 2015

empoeirado na estante da tua sala de jantar

poeira é poesia
que o vento leva

cada grão de areia
cada ácaro que dança
livre acima da tua cabeça
é um poema de amor

escrito sob o jugo
leve dos santos
empoeirados na estante
da tua sala de jantar

manifestação da vida é acordar
todo dia e me empoeirar de mim
com o júbilo de me

encostar na tua roupa
penetrar no teu ouvido
e sujar todo o teu coração

com a palavra-lembrança
do meu amor que bem sabe esperar


quinta-feira, fevereiro 12, 2015

morfologia de verão

desabafar é sempre bom
sempre faz bem

é urgente
e preciso

ainda mais nesses dias
de calor intenso

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

terça-feira, fevereiro 10, 2015

ela, elos de gabriela

           (para gabriela soncini)

ela que é um céu
e seus constantes milagres
as cores de netuno
o arco-íris depois
da chuva de verão

ela que é os ventos
que sopram do norte
e regem a aurora boreal
pra lá de nós

ela que magnetiza
toda força sideral
e das lágrimas de saturno
faz encher os vales e os rios
faz da seca solo fértil
faz da morte: vida despertar

ela que tinge em tons quentes
a tristeza e violência humana
transforma chuva de balas perdidas
em sementes de rosas
que floreiam sacadas
e salas de aulas

ela que é o mais puro
amor genuíno
ela que é gabriela

ninguém ousaria 
não querê-la
tal como ela

sábado, fevereiro 07, 2015

o peso dos teus sapatos

                  (para fernanda weykamp) 

na madrugada
a dor faz serão
rasteja baixinho
fazendo tremer paredes
derrubar cobertas no chão
e despertar alarmes

o soluço da dor
quebra em ondas do mar
a correnteza – submissa e complacente –
devolve
o que nunca foi embora

na madrugada
um grão de areia
na cama
lembra a falta de sorte

de ter perdido
o pôr do sol na praia
e de caminhar sobre a areia
de meias e sapatos quentes
abarrotados de pressa e silêncio

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

zona de confronto

pretobras
no bras?
não se vê

preto só de longe
que é pra embelezar o bras
que a silvia pilz vê
estrábica que é, coitada

mas o SUS tem piedade de ti, 
calma!, aguarde na fila
o próximo ano chegar


a partir da existência dessa senhora com carência afetiva

para ouvir itamar assumpção - pretobrás

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

madrepérola

todo vendaval
revela o homem-nu
       santo e demônio
por detrás da cortina

eles que habitam nossa pele
demasiadamente frágil
        com marcas de todo gozo e mácula

no calvário da escrita profanadora
debaixo das saias dos sacerdotes brancos
 a fé decorada regozija
        nas contas de madrepérola abençoadas

filho pródigo

       (para alice pereira)

abrace
as misérias
do teu cotidiano
como quem
abraça a um filho
perdido e temeroso
porém pródigo
que à casa sempre torna
à procura de alento
no retiro distante da
poesia reconciliadora
nossa de cada dia


ao som de bruno batista - bonita

terça-feira, fevereiro 03, 2015

sobre amar a quem, olhando sempre além

tem horas
em que o braço fica leve
o peito receptivo
à vontade de amar
e fazer amor em quem
o olho primeiro – e segundo
 parar

tem horas
em que os braços
enlaçam o corpo mental
físico e espiritual do outro
e é na horinha transcendental
desses três corpos num só abraço
que o amor se encaixa

e reside 
na eternidade
atemporal do bem-amar
por amar e amar com demora

segunda-feira, fevereiro 02, 2015

no amor, teu amor

                 (para o meu único amor)

no amor
há quem perca
o sentido a razão a eloquência
tu, pelo contrário,
me demoves a impaciência
me comoves à coerência
justificas minha existência
tornas-me em um ser menos vadio
não me cegas os passos

tu, meu amor-transcendental
me acodes
e me sacodes por inteira
nunca estive tão viva
desde a chegada
de tua genuína humanidade

estou a salva
curada de qualquer desistência
nesta e em qualquer
outra vida