Quem sou eu

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- O que escrevo? Não sei. Só sei que minha alma grita e eu já não posso mais abafar nem conter essa ânsia.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

(continuação)

As crianças estão fazendo amigos aqui nessa ilha, e na cidade tem tudo que podemos precisar, mas falta algo, que não vende nas mercearias, não fabricam e nem se encontra o endereço na minúscula lista telefônica: você.A distância é a mais triste da solidão. Aperta dentro do peito uma dor que nenhum médico sabe o diagnóstico. Por que precisava ser agora? Não poderíamos ter conversado antes?

Espero ter forças para suportar esse peso. E só aqui, Edu, eu me sinto tão próxima de ti, como se estivéssemos em casa mesmo. Essa brisa suave me acorda beijando o meu rosto todas as manhãs, como você sempre fazia. Eu sei que combinamos, em conversas passadas, manter o afastamento quando precisasse. Desculpe-me por não conseguir seguir o nosso acordo, mas hoje foi inevitável não te escrever.
Vi um barquinho bem distante de onde estou, e lembrei do nosso primeiro encontro em que fomos andar de Pedalinho, você se lembra disso? E depois quando completamos um ano de namoro você me levou até lá, no mesmo lugar onde nos beijamos pela primeira vez, para então me pedir em casamento. E foi tudo tão lindo. Deu coincidência de ser no mesmo dia o aniversário da cidade, e mais afastado de nós a cidade inteira comemorava e enquanto fazias o pedido os fogos de artifício brilhavam no céu estrelado de primavera. Parecia tudo tão planejado... Foi um dos dias mais lindos da minha vida.

Mas agora, Edu, talvez nem faça mais sentido recordar esses dias com você. Queria poder te prometer que essa será minha última carta, mas tenho receio de faltar com a palavra.
Talvez você nem abra. Talvez estejas muito ocupado por aí. Eu não sei. Mas eu só precisava te dizer que eu sinto tanto por essa distância. Desculpa pelos meus erros, mas agora nem preciso corrigi-los, não é mesmo? Você me disse adeus e sei do peso que tem essa palavra, e do quão difícil está sendo para aceitá-la. Observando essa água clarinha e calma, eu me lembro de como éramos quando casal. Às vezes ansiávamos por uma rotina diferente e fazíamos coisas inusitadas. Éramos felizes, meu amor... O nosso filho está me chamando, fiquei de levá-los a um passeio de lancha, e já estamos atrasados.
Por isso, meu bem, tentarei deixar os dias passarem, assim, um dia de cada vez.
Não sei como me despeço...
Apenas a deixarei do lado da sua foto, junto ao vasinho de flores que sua mãe colocou para ti.
Sinto sua falta, e essa eternidade que não passa...

Com amor
, Rita.