na fossa
a água parada
de poço que sou
comemora a vinda
do meu corpo que desabou
do alto barranco do amor
sem resposta sem soluço
sem cor nem pulso
convulso
coração-inquieto, responda:
quando aconteceremos
outra vez depois
do para sempre
que mentimos para nós
com honesta franqueza?
por que insisto
em desviar o olhar de ti
que me espelha?
serei de fato essa mulher
tão infeliz
comigo mesma
que não sou capaz de suportar
enxergar-me em ti
quando de frente vens a mim?
serei eu essa dor
fugindo dos teus olhos
em meio a escandalosa
chuva de verão
que n'outro dia inundou
a cidade inteira?
universo,
perdoe minha falta de brio