Quem sou eu

Minha foto
- O que escrevo? Não sei. Só sei que minha alma grita e eu já não posso mais abafar nem conter essa ânsia.

terça-feira, maio 27, 2008

Pelo tempo que durou

Pelo tempo que durar, tudo fará de nós
Um pouco amantes, um pouco amigos,
E um pouco falidos.

Quando ainda durar, teremos, quem sabe,
O amor que planejamos.
Teremos, se der, a casa que sonhamos,
Flores e árvores receberão as nossas famílias.

As flores vermelhas do jardim, colhes pela manhã,
Me trazes com o café, me trazes com o seu “bom-dia”,
Me trazes na cama, na lama e em cima dos lençóis de grama.

As notícias do jornal comentarás comigo.
Falarás do futebol, do telejornal, e do carro do vizinho.
Terás os seus sonhos nos meus sonhos.
Pelo tempo que durar...
Nossas falas se formarão num café de verão,
Sentados na varanda,
Com o cachorro do lado, rolando pela grama.

Pelo tempo que durará, no fim, ainda lembrarei de você.
Das flores vermelhas colhidas na primavera,
Do cheiro do café, do amor pela manhã.
Da toalha pelo chão, do sorriso com o pão,
Do meu amor, do teu amor, do nosso amor.
Pelo tempo que durou.

sábado, maio 24, 2008

Pulando etapas

Ainda tento saber como estamos, se é que ainda estamos.Você foi embora dando um adeus meio distante. Um adeus nas entrelinhas, em pensamento. Mas eu entendi, você mandou o seu recado. Mesmo assim, tentei jogá-lo fora, vá que eu estivesse lendo pelo lado avesso? Vá que minhas interpretações fossem não tão boas assim? Nem deu tempo de acreditar nessas hipóteses, você foi logo reafirmando tudo aquilo que eu não queria acreditar: aos poucos, foi colocando as roupas nas malas, foi chegando cada vez mais tarde em casa...
 
E eu queria acreditar que fossem os negócios na empresa que te tomavam tanto tempo assim. Eu queria acreditar, mas sabia que era eu quem te fazia ir embora aos poucos... Nem brigar, nós brigamos! Apenas fomos assim, separando as escovas de dente, com o tempo. Fomos deixando de nos tocar... De nos falar... De até mesmo nos olhar. Fomos nos deixando de lado, até que enfim, cada um ficou em seu quarto, em sua casa, vivendo cada um sua vida. Cada um recolhendo seu próprio lixo. E só depois, com o tempo  e as pistas que nós mesmos dávamos um ao outro; percebi que você não morava mais aqui antes disso tudo. Percebi que sequer vocês esteve por aqui. Aqui dentro.

"E em partes se reparte uma vida que já não faz parte de uma só parte".

terça-feira, maio 20, 2008

Meu relógio, meu tempo

Alguma coisa me fez vir até aqui. Uma palavra que escutei há pouco, ou até mesmo o que venho escutado há dias atrás. Um filme que ainda não assisti, mas que tenho atuado há um bom tempo... Também me trouxe até aqui. Fortes pensamentos-sentimentos me trouxeram até aqui. Conheço parcelas do motivo. Umas guardo em segredo para que nem eu mesma possa sufocá-las de tanta euforia, por que existem momentos e momentos para que possam vir acontecer. Não quero me afobar antes da hora. Outras vêm com o tempo. Não o tempo que marca o teu relógio, mas o tempo que marca o meu.

Temos tempos distintos para fazermos as mesmas coisas. Coisas essas, que quando uns fazem, outros, desesperadamente tentam fazer. E o que é pior: tentam fazer igual. Sem espontaneidade. Mas eu estou em outro fuso-horário. Não sei bem de onde, de quê lugar. Porém, aqui nada é incerto quando tudo que se parece o mais certo está dentro de si. Seja o que for, seja de qual intensidade e infinitésimo que seja, tanto faz. São puros e simplesmente seus. O que outro faz ou deixa de fazer, não necessariamente está certo. E o que faço agora, não necessariamente está errado.

Até mesmo o clima muda. As folhas das árvores levam um tempo, mas quando chega a hora, elas despencam. E caem não porque uma outra despencou, mas sim porque foi preciso. Porque logo mais vem a primavera, e nela, as folhas novas têm de ter chance de florescerem, têm de ter sua chance. E a nossa vida é assim, do mesmo jeito e tempo como as folhas nascem, crescem, reproduzem-se e envelhecem. É assim que o mundo gira, que as roupas de agora, deixam de ser tendências da moda de amanhã.
Hoje gostamos de algo que futuramente odiaremos (ou não.) Perdoaremos atitudes que agora, talvez sejam imperdoáveis. E assim a vida muda, e com ela as pessoas também. Mas todas essas mutações incontroláveis têm o seu tempo exato para ocorrer.

Não procure colocar a carroça na frente dos bois: a vida não pode ser vivida somente por impulsos manipulados nem percorrida por passos apressados. No fim, todos nós estaremos caminhando rumando um mesmo destino e chegaremos juntos na ponta da estrada da vida, e então, tu caro leitor,  vais entender que ai dentro, onde teu coração pulsa tranqüilamente, vais ver que valeu a pena ter tido o teu próprio relógio de pulso. E só quem deve dar a corda, trocar ou não as pilhas: és tu mesmo.

sábado, maio 17, 2008

Esperando por ti

"Contar de ti para alguém faz, com alegria e saudade, com que tu vivas um pouco mais em mim.
Mesmo que as nossas histórias arranquem suspiros e lágrimas tímidas, com gosto ainda te deixo respirar dentro de mim.
Até que voltes para me levar contigo."

terça-feira, maio 13, 2008

Em novos passos...

"Não deixe que a decepção contamine o seu coração.
Há ainda, uma ponta de esperança sorrindo em teus lábios,
Deixando para trás as doces ilusões perdidas em alguma gaveta,
Não de um armário qualquer.


Permita que essa seja mais uma história
Que outros hão de querer ouvi-la.
Permita que ainda nasça um olhar

De encantamento e que ele
Desabroche em novos sorrisos. Em novos suspiros".

sábado, maio 10, 2008

 
Como podemos nos acomodar com o modo em que vivemos? Vivemos longe uns dos outros, atarantado de problemas que nós mesmo criamos. Fugindo da verdade pelo menos uma vez ao dia. Mentimos descaradamente com alguém por alguma coisa pelo simples fato de não querer ceder, de ter medo do novo e das suas conseqüências. Perdemos a chance de dizer quem realmente somos só para estarmos de bem na no nosso meio, quando muito isso só reflete em nosso próprio ego.  
 
Desejamos ser o próximo somente pelo o que ele possui e não pelo o quê é internamente, até mesmo porque esquecemos das questões morais e preferimos ficar com as materiais, com aquelas que cai como uma luva sobre o corpo que não temos, com o qual não somos.
Não percebemos que o toque por assim sentido conforta, alegra qualquer ser em qualquer situação. E o mais importante: não é substituível. 
 
Sejamos inteiramente nós, com e sem defeitos. Melhorando o que há de errado e progredindo no que vai bem. Deixemos de lado a acomodação que nos deixa paralisados. Desejemos agir sempre para frente, sem derrubar ou tropeçar em quem está mais adiante e sim, caminhando lado a lado com este, porque somos iguais e um sempre soma com o outro. Pelo menos era o que deveria ser.



quarta-feira, maio 07, 2008

Não sei, só sinto

Sinto o seu perfume em cada esquina que cruzo.
Estranho, mas não é você quem o usa, e isso me desanima.
Com o tempo assim, entre ciclones e chuvas e você tão longe,
nem ao menos sei se antes de sair de casa pegaste o guarda-chuva,
ou colocaste o casaco, porque na previsão deu que fará frio mais tarde,
você não viu?
Nem ao menos sei com quem andas, e se estás te alimentando.
Trabalhas tanto, e um dia de descanso é sempre bom. Você tem se divertido?
Não sei de mais nada, e isso me preocupa.
Não durmo mais, só penso.
Penso.

domingo, abril 27, 2008

Cara limpa


Descobri que não quero mais entrar pelos fundos fingindo ser uma delinqüente que sai no escuro para não ser reconhecida. Esse disfarce da meia-noite não me serve mais. Preciso de um outro, um novo e verdadeiro. Que não me envergonhe, e que me decepcione menos.

Descobri um pouco tarde (eu sei)  que agora, mais do que nunca, quero a chave da porta da frente. Entrar e sair quando o dia clarear sem medo algum de me mostrar.

Mas para não ter possíveis ressentimentos eu guardo a chave da porta dos fundos. Vai que um dia você também precise dela?

terça-feira, abril 22, 2008

Desejo

"Espero acordar e me manter acesa durante o dia.
Espero que o vento que entre pela janela do quarto não assopre a chama que há em mim.
Espero que os desejos, pedidos de mãos juntas e elevadas a Ti, não deixem que eu vire um simples sebo e o que sobrar dessa cálida chama reascenda-se com o respirar de um novo amanhecer."
♣"Pequenos passos são dados a cada dia. Poucos. Porém, precisos passos."

domingo, abril 13, 2008

Último postal

A vida estava tão boa com você por perto. As cores eram mais nítidas, e o sol sempre invadia meu quarto pelo amanhecer acordando-me com um aquecido carinho em meu rosto tranqüilo de sonhos bons. 

Em um dia desses em que o sol invade o seu corpo e aquece sua alma tomada de saudade, você resolve viajar.
Viajar para conhecer novos ares... Simplesmente sair sem rumo certo, parando na cidade que mais lhe agradar.

Não me perguntaste se eu queria ir junto, talvez mesmo, eu nem iria. Mas faltaste comigo, sim. E o meu céu nublou.
Com o tempo vamos nos acostumando com essas mudanças inesperadas. E os dias passaram se arrastando por entre as sombras das alamedas vazias de gente, de nós. E no final, você resolve simplesmente me dizer que agora vais mais longe, e sem ao menos se despedir de mim, pela segunda vez.

Ainda lembro do último postal que recebi. Havia uma praia muito bela, de cores intensas. E no verso estavam suas únicas palavras: “Estou me mudando no fim do mês, para uma cidade vizinha. Um beijo e cuide-se”.

Apesar de estar bem sucinto, faltou um detalhe, não percebes?
Faltou uma palavra de esperança, de que iríamos manter estes vagos, porém importantes, contatos. Mas nem isso você escreveu. Talvez a mudança já estava saindo e foi tudo o que conseguisse escrever. Por falta de tempo, quero crer. E não porque terminaria nesse último postal.

E é em dias assim em que os céus voltam a sorrir para mim; eu lembro de você e isso aperta o peito e reaviva a vontade de lhe ver. De tê-lo, mesmo que em postais com frases inacabadas.
Mesmo que seja assim... Em vagas, mas vivas palavras e lembranças.

domingo, abril 06, 2008

Seguindo sempre

E tudo na vida é assim:
há dias em que se sorri,
como também,
há dias em que se chora,
se irrita, se desanima.
Mas há dias em que
o Sol brilha tanto lá
fora, como aqui dentro.

Há dias em que tudo
precisa de calma.
Precisa-se respirar
profunda e lentamente
para que assim,
os dias de intensas
e positivas mudanças,
tragam a felicidade
de dias melhores.


E assim, os dias passam.
Não mais diante dos meus olhos.
Passam agora, sorrindo e festejando
Aqui dentro!

Menos peso, menos agonia.
Mais sorrisos, boa vontade,
e harmonia.
Dias de superação.
Dias de intenso calor: humano.

P.S.: Novos passos,outros olhares.Mais felizes!

domingo, março 30, 2008

Cansada

Na busca exagerada e desesperada por mudanças, focalizei todas as minhas frustrações decorrentes, nesse pequeno e humilde espaço. Deletei do cérebro e obviamente, dos olhos, a imagem do layout que eu tanto ansiava pôr finalmente conseguir colocá-lo aqui, graças a bondade e paciência da amiga blogueira que tanto aprecio... Enfim, o perdi das vistas e agora nenhum me serve. Nenhum mais me satisfaz. 

A busca por mudanças é tamanha que me sinto de mãos e pés atados no momento. Mal consigo digitar essas palavras, muito me custa vir faqui e fazer isso. Mal consigo ir até a rua, não sei mais o que é caminhar por entre as pessoas, desviar dos carros e das bicicletas desgovernadas. A frustração é tanta, que nem esperanças de alguma mudança sequer eu tenho. Nem mesmo sei mais o que é ter uma rotina cansativa e atarefada. E agora, me resta jogar o que nada tenho para o alto e implorar que qualquer coisinha, mínima que seja, venha até a mim, ou mesmo (sabendo que nada cai dos céus...) desatar as correntes dos pulsos e tornozelos e ir com força e vontade atrás delas... Mudanças.

É tão estranho e desanimador, que o máximo que consigo fazer,é ficar sentada esperando pela chuva tão refrescante e necessária desses dias de intenso calor... E ver que absolutamente nada chega até a mim, nem cobrança de IPTU, ou nem mesmo, uma gripe. E eu sigo... Cansada de tanto esperar. Mas sigo, afinal de contas!


P.S.: Sem muito o que contar por aqui. Sem vontade de procurar uma foto... Cansada apenas. Noites mal dormidas, acabam com qualquer um...

P.P.S.: Ah, e outra hora eu coloco de volta a lista dos links e passo para visitá-los.

sexta-feira, março 21, 2008

Interna

Apenas uma parte aparentemente visível se contenta com a insanidade sentida anteriormente. Apenas essa parte deixava-se usar. Contentando-se em apenas ser o zero absoluto subordinado pelas desilusões, injustas, sofridas por outros ardores em diferentes épocas.
E essa parte, euforicamente submissa a tanto mal-estar sucessivo, implora pela outra parte - ainda vagando por entre sombras frias – implora, que se junte a ela, e que sinta um calor verdadeiro ou então que congele pela frieza ímpar que tanto recebe de apenas um, mas não único ser.
Mas, a parte de intensa solidão foge ao ver as chamas da paixão. E pensa com ela: “paixões são passageiras, e só fazem mal...”.
E como fazem mal. São insólitas e vagas. Apagam-se com o escurecer dos dias. Diminuem como que se tivesse gastado todas as suas pilhas. Os ponteiros do relógio empacam, mas é pura ficção, pois o tempo continua disputando a frente com o vento.
Partes essas que se fundem e separam-se entre um personagem e outro. Tanto faz o tema ou ambiente, elas são únicas, são as mesmas de hoje, e serão sempre as mesmas de amanhã. Cada uma lutando por um ideal (contraditórios ideais), porém se encontrarão quando o personagem deixa de ser latente e passe a ser de carne e osso. De sensações e olhares. De agir e sentir combináveis e estáveis.
E ambas as partes apressam as horas internas e procuram logo por um abrigo sincero onde as duas caibam e que só assim deixem de passar a perna uma na outra.

domingo, março 16, 2008

O dia "D"

(À M.C)

Fiquei arrepiada. De nervosa. De quase que surpresa. De desapontada. De acabada.
Mas, já não era sem tempo, o dia "D(eu)" chegou.
E eu não parei para pensar no que foi dito (da minha boca e da tua), não parei para pensar no que foi perdido, sofrido e amado com tanto Louvor.
Ainda estou sob efeito do choque de ter me rebelado contra essa insegurança iludida que eu carregava com todo esmero em meu peito. Nos meus mais secretos sentidos.
Estou paralisada, quanto a isso.
Mesmo assim, não páro. E nem posso. Ainda mais agora... Que estou LIVRE, de fato!

sexta-feira, março 14, 2008

Mais que uma noite

Há tanto eu esperava ouvir isso saindo dos teus lábios. E agora, com milhões de esquinas distantes, tu me falas suavemente sobre o doce amor que ficou para trás e que ainda existe batendo apressado em teu peito. Eu rezei tanto para que esse dia chegasse, e finalmente ele veio. Veio acompanhado de incertezas e de muito que se perguntar. Precisaria ter certeza do que disseste, mas me fiz de surda, e novamente me surpreendes dizendo as mesmas palavras saindo de doces salivas. Meu coração pulsa afoito como antes. E eu me sinto tão viva por isso, tão intensa e quente... O problema não está nas longas horas de viagem... Apenas descobrimos um pouco tarde. Mas, nem por isso deixo de querer ouvir tua respiração tão próxima do meu rosto. Mas também, para mim, isso não se resume em apenas uma noite.

terça-feira, março 11, 2008

Transição

Alguns amigos vão.
Outros também.
Enquanto isso, fico
sentada observando
o fluxo tranqüilo,
na expectativa de

que pelo menos um
me acene com um
sorriso, mudando de idéia
e sentando-se ao meu
Lado.

Como antes. No ontem
e também no amanhã.
∙ Sem amigos, nem futuro, apenas um pedaço de papel, lápis em punho e algumas palavras a serem ainda derramadas em vão. Companhia preenchida de frases mal formuladas, mas batendo forte um coração cheio de significados e sentidos. Todos para todos que eu encontrar.

sexta-feira, março 07, 2008

Eu esperando por mim

Sou dependente. Dependente de mim.
Nós tiramos férias. Aproveitamos longas horas de sono, pouco sol, muito calor e vento.
Dormíamos tarde e íamos acordar mais tarde ainda.
Algumas distrações durante os dias: livros, música muito alta, internet, jogos, televisão e comida. Subidas e descidas. Corridas e caminhadas. E assim, as férias acabaram-se.
Mas uma de nós continua de férias: eu. Só que agora, as distrações são vagas, desacompanhadas, sozinhas sem mim.
Entre uma ocupação dispersa e outra, acendo meu cigarro e debruço na janela na esperança de que eu chegue, já que me perdi de mim desatinada na volta para casa.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Essa vida...

"Viver de aparência está sendo tão normal,
Que sabe se lá quem é sinceramente real."
 
P.S.: Agradeço à Camila Rodrigues pelos selos que recebi em seu penúltimo post.
Obrigada pelas palavras e pelo carinho Camila.

Agora é minha vez de passá-lo adiante, e no post de hoje vai esse, e nos próximos, os outros dois que restam.

Para os dois blogs que como diz o selo: NÃO SAEM DA MINHA CABEÇA...
Rô: com o seu blog sempre recheado de informações com sentimentos e opiniões impressos em cada vírgula.
Gabrielle: blog atualizado com emoções do seu cotidiano e repleto de textos envolventes numa linguagem simples e sincera.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Certa insegurança

"Desfaço planos e realço a beleza de estar sempre certa da insegurança dos dias mais. Abro a porta de casa e caminho em busca de algo novo, mas a incerteza da segurança me faz voltar com a rotina dentro da bolsa.
Acordo no outro dia e as horas são sempre as mesmas: atoladas de tanta certeza insegura de que amanhã tudo muda...
Mas a vida... A vida continua lá fora... E eu nem percebo que nada mudou desde então. Persisto com a bolsa cheia de rotina e com o tempo sobrando nas incertezas desse dia."

domingo, fevereiro 17, 2008

Mudanças na alma

(À nova amizade J. R.)
 
As pessoas mudam, e com elas novos caminhos a trilhar. A diferença real entre as pessoas está no que você vê, sente e como age. Muitas vezes nos tornamos semelhantes àqueles com quem convivemos, não por falta de personalidade ou coisa parecida e sim porque, naquele momento estamos atraído um pelo outro, o que significa é que, ambos, estamos caminhando pela mesma estrada.
 
Momentos e superações nos fazem entender um pouco mais sobre aquilo que a vida vem nos dizendo dia após dia. Então, um pouco mais acordados percebemos que as nossas ações conseqüentemente influem no nosso estado emocional o que isso resulta está na nossa vida tanto dentro como fora. É o mundo interior interagindo diretamente com o exterior. Uma coisa leva a outra. Como a "lei de ação e reação". Também, como aquela que nos diz, muito sabiamente, que somos responsáveis por tudo àquilo que cativamos. E vale lembrar que o que não queremos para nós necessariamente precisamos não querer para o nosso próximo. Seja ele quem for, seja quem nos causou um grande sofrimento, ou uma grande alegria.
 
Somos todos atraídos por aquilo que: somos e como estamos e agimos em sentido moral. Se nos vemos em grandes conflitos internos, cultivando pensamentos e sentimentos negativos, seja para conosco ou para com alguém, o mecanismo magnético conseqüentemente atrai, sim, momentos difíceis, sentimentos avessos, piorando o conflito interno e causando mais problemas e dificuldades com o mundo que nos cerca. Se nos esforçarmos para cultivar pensamentos e também sentimentos bons com tudo que existe o mecanismo magnético age a nosso favor, nos proporcionando momentos de paz, momentos felizes e de crescimento interno e moral.
 
Somos capazes de interferir na vida das pessoas, gerando brigas e discussões sem propósito positivo algum. Sendo assim, cabe a nós interferir na nossa própria vida, na que habita a nossa alma e a que cerca o nosso corpo. Tentando sempre permanecer em paz e harmonia com tudo o que nos cerca, em tudo que existe vida. Cultivando bons pensamentos e sentimentos, agradecendo por todas as oportunidades de estarmos aqui nesse processo de melhora e avanço moral. É preciso e necessário estar em paz com a consciência e sentimentos para poder usufruir uma vida terrena de bons frutos e de harmonia recíproca com o que nos cerca. Assim a paz desejada é definitivamente alcançada.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Verdade ou mentira

O que acontece com uma pessoa que vai até um programa de televisão para humilhar-se diante de centenas de telespectadores, participando de um quadro onde através de uma “Máquina da verdade”, ela tenta recuperar seu casamento?
Seria desespero? Ou insegurança de uma nova rotina? Ou acomodação? Sinceramente, não consigo imaginar uma mulher, mãe de quatro filhos, que teve um casamento de dez anos, onde dia após dia ela dormia insegura por não confiar em seu marido. Sendo que este já havia lhe dado motivos para que ela se sentisse assim, insegura.
Entre idas e vindas, boatos e confirmações, a esposa resolve dar o troco, pagando na mesma moeda: traição. Diz ele ser mais de uma vez, já ela... Chora muito e confirma, mas que foi apenas uma vez e pelo qual motivo já sabemos. No programa, a esposa passa por uma série de perguntas onde suas respostas deverão ser apenas “sim” ou “não” e nada mais que isso.
Diz a apresentadora que o teste é altamente confiável e quem opera a máquina é um profissional. Preparei minha pipoca e acompanhada de uma coca-cola bem gelada fui saber até onde iria e que fim daria a esposa: apenas traída ou também traidora?
Eis que, depois de muito enrolar, de muita encheção de lingüiça com propaganda de patrocinadores, eis que se obtém a resposta: a mulher, que num ato de desespero foi até à respectiva emissora com o único objetivo: provar sua inocência e ter de volta seu tão amado e infiel marido toma um banho de água fria, e bem fria!
- Culpada! - O juiz bate o martelo afirmando que ela mentiu sim. É uma baita safada (na linguagem televisiva pouco amena). A história se encerra por aqui. A esposa antes vítima de acusações infundadas do marido, chora copiosamente e continua negando sobre seus relacionamentos extraconjugal.
Se antes o marido pensava em uma possível reaproximação com sua doce esposa, agora pelo visto não quer mais vê-la nem pintada de ouro... E então eu fico pensando: a que ponto... de onde tiram essa idéia de que uma máquina julga (lembrando que esse método é usado pela justiça injusta...) quem é bandido ou quem é mocinho (nesse caso, quem é ou não o corno da vez)? Quem?
Estatísticas mostram... e blá blá blá... Isso já sei, mas a que ponto uma máquina destrói ou reconstrói casamentos?
Bela invenção, Senhor Inventor da “máquina da verdade”, pena que os manipuladores não a usam para o seu devido fim. Que seria qual mesmo?
Mentira... Verdade...
- Desculpem-me! É que a minha está com problemas...

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Quase real

Já disse, em outras e bem piores ocasiões... e torno a dizer,agora num ensejo melhor: obrigada pelos momentos. Àqueles incontroláveis irritantes momentos de ternura e doçura da tua parte.
Obrigada também, depois - desesperadamente atrasada para retribuir - obrigada pela não reciprocidade sincera, encoberta de intensidade recíproca e por outros momentos, como este, em que te imaginei em cenas de filmes, cujos quais, toda menina sonha...
Obrigada pelos sonhos. Mesmo que tenham acabado antes mesmo de eu acordar.
Obrigada, Esperança.

domingo, fevereiro 10, 2008

Muito bom, sim senhora!


 
Muito bom mesmo, é ser lembrada. E eu fui.
Fiquei muito feliz quando recebi o comunicado da Camilla , dizendo que meu blog recebia mais um selo.
Adorei, Camilla, muito obrigada pelo reconhecimento, pelas palavras... Obrigada de verdade!(confiram o blog dela, também, merece de volta o selo!)

Então, passo o selo à diante, dos blogs que conheço e freqüento todos os dias:
Rô:
Adoro esse blog, traz diversas informações, temas polêmicos e textos repletos de sentimentos. É um blog muito bom sim senhora!
Divina Letra: Conjunto de idéias, sentimentos, fotos que ilustram perfeitamente os textos, harmonia,divinos textos e tudo isso reunido numa página só. É de encher os olhos!
Gabrielle: Não é porque somos da mesma cidade, mas ela merece e muito esse selo. E eu desejo que mais portas se abram, e que ela mostre mundo a fora o quão bem escreve. Merece e muito!


ஃ
Confiram, eles são bons sim senhora!!!

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Não se espante

[...]
Não se espante com meus abraços.
Eu seguro a saudade e te aperto
Em meus braços.
[...]

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Reformulação sentimental

Não que a distância faça diminuir ou acalmar o coração que aqui dentro lateja incansavelmente, mas saiba que essa dor já não é tão intensa assim.
Talvez nem seja mesmo... dor.

Porém, não deixo de sentí-la. Faz parte de um processo de auto-reformulação emocional. De auto-segurança. E eu preciso passar por tais provas.
E o estimulante nisso tudo é o resultado. Sempre para melhor, sempre positivo.
Não desisto dessa reformulação interna. É preciso. E sinto estar no caminho certo. Sinto que estarei bem novamente.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Só mais um caso e nada mais

Pensou que seria simples
A idéia de recusar a
Proposta de seu companheiro
- agora não mais tão presente assim.

Apenas diria "não" em tom
Forte e seguro.
Mas vendo-se diante da proposta,
Não pôde dizer mais nada
A não ser "sim".

Exatamente o que ele queria ouvir,
Um "sim" com a voz embargada
E os olhos molhados:
- Sim, arrume suas malas
E procure um lugar para ficar...
- Vai ser melhor assim.
- Vai ser - disse ele quase incrédulo.

Mas não foi.
E ela disse o "não” como queria.
Mas agora... Foi para
A chance de ser feliz.
Ela disse "não".

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Alegria carnavalesca

Em meio às festividades do mês, não poderia deixar faltar confete e serpentina.
Que, sentidas, são sinônimos de: entusiasmo, felicidade, empenho, superação, alegria contagiante, amor, união, empolgação, risos e sorrisos soltos pelo ar.
Que não falte confete e muito menos serpentina o ano todo.
A magia contagiante do carnaval precisa ser mantida todos os dias.
Feliz empolgação de dias animados para todos nós!!
E que a bebida seja o doce e majestosa com sabor de Amar.

domingo, fevereiro 03, 2008

Dias de Maria

Agarrei o primeiro saco de lixo que vi pela frente, e despejei sem dó todas as sujeiras que apodreciam os meus dias. A faxina foi complicada, era tanta imundice que fiquei confusa por onde deveria começar. A primeira varrida sempre é a mais difícil... mas não tinha outro jeito, ou era uma casa mais limpinha ou farelos para tudo quanto era lado.

Passei dias nessa tarefa árdua. É duro tomar conta de casa, ainda mais sozinha... Agora estou no processo da reciclagem. Aquilo que foi usufruído e acabou, ainda tem alguma utilidade. Só é preciso ter criatividade. É certo que tudo tem seu tempo, e tem o seu porquê. As respostas vão se encaixando pouco a pouco nessas linhas desorganizadas.


Enquanto isso, vou batendo algumas almofadas, lavando algumas roupas... vou harmonizando e tentando outra vez, familiarizar-me com a casa. As mudanças são bem-vindas: somente aquelas que te acrescentam. Renovando alguns filmes, organizando alguns livros, mas nunca esquecendo dos seus personagens. E para finalizar a faxina interior: desapegando-se intensamente - diferente de rejeições,ou desafeto.


Ainda está em andamento, é claro,mas já é um grande passo. Pelo menos o meu quarto, já está organizado...


♣Nota: Roberta, fico muito contente que tenhas gostado do meu blog em si, e também por ter me dado aquele selo. Confesso que fiquei surpresa com a indicação.De verdade e te agradeço muito,muito!E um recado: coloque mais de suas poesias, são tão sentidas!
E minha indicação é para todos aqueles que estão linkados em meu blog. Não é à toa que eles estão alí!!!

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Inverno de 1972

Green eyes,
Pensei em te escrever alguma coisa.
Talvez se eu ligasse seria mais fácil. Mas que nada, eu iria engasgar, repetiria as mesmas palavras de segundo em segundo, formaria frases sem nexo até que a ligação caísse.
Não tendo coragem para tanto, pensei em te escrever.
Mas parei.
Escrever o quê afinal de contas? Se tudo que precisava ser dito não saiu por inteiro quando tive chance. Faltou ar. Faltaram palavras...
Angustia-me saber que poderia ser diferente. Que poderia ser melhor. Mas seria mesmo?
Evitei fotos, falas, músicas, filmes, cores, flores. Tudo para esquecer de pensar em ti. Mas nada foi suficiente. Eu fechava os olhos e lá estava você me esperando para conversar sobre o seu dia. E lágrimas dos meus olhos caíam. Elas sempre estavam presentes nesses nossos encontros.
E no final de tudo que foi e até o que nem veio, elas são as únicas que se mantém fiel para comigo. Mas já você... Está bem longe, mais longe do que as minhas pernas ainda jovens poderiam percorrer.
 
E eu só pensei em te dizer o que de verdade sinto agora. Alguma palavra tocante que te trouxesse de volta para bater outra vez na minha porta. Mas até mesmo por aqui, elas parecem não existir.
Talvez seja porque nada mais eu tenha dizer. E acontece que ainda fico presa.
Presa nesse passado que nunca se transformará em presente, e muito menos em futuro.
Sem esperanças, nem chances, nem sonhos, apenas ilusões me acompanham. Mais uma vez. E sempre por você.
Certamente você não irá ter conhecimento de nada disso, até por que eu não te mandarei. 
E também por que você nem é de verdade. Você se torna parte de mais uma das minhas crises psicológicas de inventar personagens para essa minha vida monótona.
Pelo menos, farei de conta que isso que disse acima é verdade.
Dormirei de qualquer forma. Só não se sabe como.
Até amanhã eu já nem lembrarei mais dessa sua participação vaga nessa folha de papel.
Mas, só até amanhã...


P.s.:
Pegue o primeiro ônibus que encontrar e tome a estrada no caminho contrário do que você foi. Sairei correndo, mas dessa vez para atender a porta!
Preciso sorrir outra vez!
Nose frozen

domingo, janeiro 27, 2008

Desapontamento

Tente não desapontar quem te ama,
Pois a ferida que hoje sangra,
Um dia fechará,
Mas a confiança
- quem sabe -,
Pode não mais voltar.
 
P.s.: estou de volta!

quarta-feira, janeiro 16, 2008

(continuação)

As crianças estão fazendo amigos aqui nessa ilha, e na cidade tem tudo que podemos precisar, mas falta algo, que não vende nas mercearias, não fabricam e nem se encontra o endereço na minúscula lista telefônica: você.A distância é a mais triste da solidão. Aperta dentro do peito uma dor que nenhum médico sabe o diagnóstico. Por que precisava ser agora? Não poderíamos ter conversado antes?

Espero ter forças para suportar esse peso. E só aqui, Edu, eu me sinto tão próxima de ti, como se estivéssemos em casa mesmo. Essa brisa suave me acorda beijando o meu rosto todas as manhãs, como você sempre fazia. Eu sei que combinamos, em conversas passadas, manter o afastamento quando precisasse. Desculpe-me por não conseguir seguir o nosso acordo, mas hoje foi inevitável não te escrever.
Vi um barquinho bem distante de onde estou, e lembrei do nosso primeiro encontro em que fomos andar de Pedalinho, você se lembra disso? E depois quando completamos um ano de namoro você me levou até lá, no mesmo lugar onde nos beijamos pela primeira vez, para então me pedir em casamento. E foi tudo tão lindo. Deu coincidência de ser no mesmo dia o aniversário da cidade, e mais afastado de nós a cidade inteira comemorava e enquanto fazias o pedido os fogos de artifício brilhavam no céu estrelado de primavera. Parecia tudo tão planejado... Foi um dos dias mais lindos da minha vida.

Mas agora, Edu, talvez nem faça mais sentido recordar esses dias com você. Queria poder te prometer que essa será minha última carta, mas tenho receio de faltar com a palavra.
Talvez você nem abra. Talvez estejas muito ocupado por aí. Eu não sei. Mas eu só precisava te dizer que eu sinto tanto por essa distância. Desculpa pelos meus erros, mas agora nem preciso corrigi-los, não é mesmo? Você me disse adeus e sei do peso que tem essa palavra, e do quão difícil está sendo para aceitá-la. Observando essa água clarinha e calma, eu me lembro de como éramos quando casal. Às vezes ansiávamos por uma rotina diferente e fazíamos coisas inusitadas. Éramos felizes, meu amor... O nosso filho está me chamando, fiquei de levá-los a um passeio de lancha, e já estamos atrasados.
Por isso, meu bem, tentarei deixar os dias passarem, assim, um dia de cada vez.
Não sei como me despeço...
Apenas a deixarei do lado da sua foto, junto ao vasinho de flores que sua mãe colocou para ti.
Sinto sua falta, e essa eternidade que não passa...

Com amor
, Rita.

sábado, janeiro 12, 2008

Emaranhado de palavras-sentimentos (epístola)

Águas calmas, 17 de janeiro, 1985.

Nessa cidade pacata, a brisa é a única diversão que aqui tenho. Para falar a verdade, essa cidade se completa por si só. A água do oceano é fresca, Divina.
É muito agradável sentar-se à beira-d’água no fim de tarde e contemplar a dança das aves que flutuam no ar sob as águas. E o pôr-do-sol? Nunca havia visto beleza com o ar tão leve-puro como esta!
As pessoas daqui são simples. A primeira vista espantam. Elas mesmas nos afastam delas.
Na aparência, somos bem diferentes, eles não se importam com que roupa vão receber visitas, sair às ruas... Já eu, como bem me conheces, fico intrigada de sair mais ou menos e o pessoal que por mim passar ficar me olhando. Mas eles... são práticos. E desconfiados.
Senti-me uma completa estranha no meio deles. Sabe quando descobriram o Brasil? Senti como se eu fosse um dos Portugueses chegando de caravela e roubando o espaço de quem ali mora e é dono. E eles pareciam os Índios, se escondiam para ficar nos observando, se me afastasse dos meus pertences para dar um mergulho, ou brincar com as crianças, eles corriam para cheirar e até mesmo lamber minhas roupas entre outros objetos.

No começo me achei Dom. de alguma coisa, mas óbvio, nada cruel como nos antepassados.
Os dias são bem calmos por aqui. Nessa ilhasinha que estou, com esse pessoal diferentemente encantador, me sinto em paz.
Você estava certo de que eu precisava tirar umas férias. De início essa sua idéia me causou náusea, senti até um frio percorrer pelo meu corpo. O medo de te perder veio num estalar dedos...
Mas depois, com as passagens por mim compradas, entendi que seria o melhor para mim. O melhor para nós. E para os nossos filhos também que, nunca vi tão felizes como hoje. Estão radiantes. Aprenderam a pescar, na verdade, o Rafa foi quem pescou, um pequeno, mas a felicidade foi imensa que parecia que ele havia pescado um Tubarão, ou bichinho parecido.

A Juju sente sua falta. Fala em você o tempo inteiro. Esses dias, ela foi logo cedo para o meu quarto me acordar, queria conversar, e eu ainda sonolenta conversei. Contou-me de um sonho que a recém tivera com o papai, como ela diz com aquela voz doce e frágil que só ela tem. Disse que vocês estavam voando, brincavam nas nuvens, e ainda disse que elas eram o lugar mais aconchegante que havia deitado ou sentado, e enquanto narrava seu sonho, de seus olhinhos miúdos escorriam lágrimas saudosas de você, meu amor.
Entre alguns soluços mais, ela adormeceu. Eu perdi o sono. Fiquei abraçada com ela todo o tempo.
Sentimos muito a tua falta, Eduardo.
Não sei quando iremos voltar. [...]

P.s.:
Próxima publicação: continuação da carta!

quinta-feira, janeiro 10, 2008

VIDA

Afetividade rompida,
Traçada por linhas imaginárias de
Impulso e pulso afoito,
Com sentimentos completos
Em um mundo à parte.

Danem-se
àqueles
Que pouco sonham,
que nunca dançam,
que nada sentem.


Sinto
todos os sentimentos do mundo
Rio todas as alegrias infelizes
não importando, onde, como,
muito menos porquê.


Seja como for...
Apenas esteja.
Por que de todo o sentido,
irreal ou não...


Tanto faz, pois,
a vida está aqui
e eu
consigo tocá-la.
Consigo sentí-la.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

SAINDO DA ROTINA

Não era o meu propósito fazer desse meio um diário ou coisa parecida, que contasse, a quem interessasse ler, sobre os meus monótonos dias.
Mas hoje, a publicação é especial.
Fui presenteada pelo meu amigo blogueiro - se assim posso dizer - Hodric (Rodrigo Colombaro) e que meu blog foi indicado como "Blog Cabeça".
Fiquei extremamente contente por esse ato tão generoso e estimulante desse meu amigo.
E agora, cabe a mim passar essa 'premiação' a diante.
Pelo que eu li em alguns blogs, pode indicar no máximo cinco endereços, conhecendo tantos outros, digo que essa tarefa é bem difícil, mas agora, falo das minhas indicações:


http://hodric.blogspot.com/ : Se pode ou não, repetir o prêmio, eu não sei, só sei que ele merece, e muito. No blog do Rodrigo serão encontrados contos e outros mais textos de sua própria autoria. Cada publicação mais bem escrita que a outra.
E é por tamanha habilidade mostrada nesse endereço é que digo que vale a pena - e muito - desfrutar de uma boa e impressionante leitura!


http://biscoitosdesorte.blogspot.com/ : Publicações: de formas direta e tocante, assim posso atenuar meu favoritismo ao blog da Camila.
De forma sutil e cativante, combinando perfeitamente cores e imagens, ela transcreve tudo que há de mais instigante em nós, mesmo que alguns textos não sejam propriamente de sua autoria, todos levam um toque especialmente carregado de sensações e efeitos. O que muitas vezes causam um certo silêncio como reação de quem as lê.
Simples, porém, profundas e sinceras publicações.
Blog esse, que não pode ficar de fora, obviamente.


Esses blogs instigantemente chamam e prendem a minha atenção. O que é bem provável: que eu não seja a única.
Existem outros tantos blogs e blogueiros que merecem ser reconhecidos, e eu ainda estou a recém descobrindo-os.

Agora, passem a diante.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Agora

Olhe!
Não ande na contra-mão.
Não faça assim com o seu coração.
Ele – coitado – já se partiu demais por aí,
Por um engano e outro ele chorou.
Mas, olha, ele anda sozinho,
Carente, precisando de atenção.


Não faça assim com você.
Olhe para cá, estarei na sua frente
Quando, então, você decidir
Abrir os olhos, e tocar em mim.


Hoje eu estarei aqui.
Não te prometo nada para o amanhã,
Às vezes, o destino é tão traiçoeiro
Que não adianta planejar uma vida para depois,
Porque ela não acontece assim, por exato.


Então, levante a cabeça e enxugue as lágrimas.
Não perca tempo com o que ficou para trás.
Se ficou, era porque precisava.
Levante, lave o rosto, e olhe para mim.
Estou bem aqui na sua frente.
Pelo menos hoje, você tem a mim.


Quanto ao amanhã...
Bem, podemos deixar que ele venha
Ser, nós dois, juntos.
Quem sabe [outra vez].

sábado, janeiro 05, 2008

NOVO TEMPO

Apesar dos enganos, do dito pelo não dito, é bom lembrar para nós mesmos, que estamos aqui: realmente vivos.
O momento não é dos melhores... o interessante disso tudo é que a partir de agora, as circunstâncias, que aqui se mostram, têm ar de esperanças: de renovação!
Todas as esperanças perdidas, as lágrimas - de desistência - roladas, momentos cansativos em que simplesmente confiamos nossas pesadíssimas cargas nas mãos de Deus e repousamos sem fazer nada para nós mesmos, e todos os sentimentos avessos, precisam, mais do que nunca: que fiquem nesses dias de ontem.

Das tormentas, passageiras ou não, que as deixamos para trás, assim como o ano que passou.

Feliz Ano Novo: que as Esperanças, a Fé, a Paz e o Amor - tão necessários - renovem-se e estejam cada vez mais presentes nesse ano de recomeço.

▪Feliz 2008!

terça-feira, janeiro 01, 2008

(Continuação)

O trânsito confuso parou. Homens e mulheres que andavam apressados de repente estagnaram-se.O tempo parou naquele instante.
O estrondo foi enorme, o que fez com que todos, paralisados, silenciassem inconscientemente.
Aquele corpo juvenil, antes inquieto, de face corada, agora transparente, esfalecia-se no asfalto opaco e rígido.
Desesperadamente, o motorista do carro, correu em sua direção. Tomou-a nos braços – não lembrando que ela precisaria estar imóvel, tamanha proporção do acidente.
Um soluço incontido desfez o nó em sua garganta. Enquanto suas lágrimas amedrontadas corriam gravidade abaixo, banhavam o corpo frágil.
Com dificuldade ela conseguiu abrir seus lindos e expressivos olhos castanhos, podendo de fato, vê-lo pela última vez. 
Sentindo-se sufocada ela acordou. Tentando distinguir o que era apenas um sonho, ou melhor, um pesadelo do que era verdadeiramente a realidade, precisou sentir com suas mãos o seu corpo.
Sentindo-se viva, abraçou-se. Passado alguns segundos de euforia levantou-se às pressas, tomou na garrafa mesmo, alguns goles de suco, aprontou-se sem muitos detalhes, e bateu a porta da frente: estava atrasada para a hora no cabeleireiro.
Hoje era o dia mais feliz da sua vida: era o dia do seu casamento. 
Essa farsa não iria muito longe mesmo.
E tudo, não passava de um terrível sonho, refletiu já sentada na cadeira do salão de beleza.
Aflita levantou-se correndo da cadeira e em desatino pegou a chave do carro. Dirigiu em alta velocidade para lugar algum.
Apenas fugiu. Ela não poderia deixar sua vida, ainda recente, acabar daquele jeito, como no sonho.
E ela apenas fugiu, não por causa do sonho, pois ele, lhe era um consentimento de alguém, de uma força maior, que vinha há tempos lhe mostrando provas e só ela não queria acreditar.
Apesar de estar fugindo, saiu de cara limpa e de alma lavada.


Era ele! O mesmo que há três meses atrás havia a deixado de véu e grinalda na porta da igreja. O mesmo que agora a apertava em seu peito, pedindo entre soluços, o seu perdão e prometendo mundos e fundos sussurrados ao pé do ouvido, exigindo que ela resistisse.
Deixando escapar uma lágrima, disfarçada num sorriso, ela, olhou-lhe envaidecida e suspirou orgulhosa até o seu fim.

E a chuva de estrelas pôde, enfim, ser explicados na tempestade emitida pelo infinito.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Um suspiro e nada mais

A primeira vez em que se viram, nem o infinito foi capaz de explicar a chuva de estrelas vinda de trás das nuvens carregadas de desamparo, ilusão e desesperança.

Perdida no tempo e espaço, em desatino saiu do seu apartamento. Precisava respirar, necessitava ver vida – já que sentia-se apenas respirando e mais nada.
Arrastando-se lentamente, ela mexia-se.
O amontoado de gente nas ruas faziam-na tontear e até mesmo cambalear.
Ela, que há muito tempo vivia o mesmo bairro, desconhecia as pessoas e vizinhos que por ali passavam.
Com cabelos desgrenhados e roupas fora de moda, sentia-se uma completa estranha. Alienada e bagunçada abaixava o rosto quando alguém cruzava seu caminho.
E assim caminhava por um bom tempo.
Tempo lento e aflitivo para quem não tem muito que fazer.
O que sua vida toou a deixou sem perspectivas e muito mesmo ela possuía um “plano B”.
Pensamentos vagando em desespero absoluto.
Luto estancava seu peito, prendia sua respiração. E mesmo assim, ela continuava a caminhar; vagando por entre docas, latas de lixo e por entre pessoas apressadas.
Sentia-se estranha. A coisa mais estranha que pôde ter visto até hoje.
Sinceramente? Coisa estranhamente viva.
“Viva!” bateu em seu peito oprimido sobressaltando de sua boca seca. “VIVA!” mais uma vez repetiu, agora em voz alta, ganhando olhares interrogativos. Interrogações de somenos importância comparada à vivacidade de seu andar, agora mais altivo.

Encaminhou-se apressada e mais lúcida, até o banco da praça, mais próximo. Precisa recobrar o fôlego – alegando ter vivido intensas emoções e descobertas.
Sentou-se assim que encontrou um banco vago.
A euforia que toma conta de suas entranhas não a deixou repousar. Levantou-se capciosa, e tornou a andar.
Nesse momento, sentia-se leve e fresca. Sua saia ritmada com seu andar, agora majestoso e provocante, balançava para lá e para cá...
Ela desfilava.
Observando os grandes prédios e contemplando as velhas, porém, resistentes árvores, atravessou a rua sem prestar atenção no que fazia.
Rodopiou no meio do asfalto sem notar onde estava. Sentia seus pés saírem do chão e sua leveza era mais intensa.

Obs.: O próximo post será com a continuação deste.

segunda-feira, dezembro 24, 2007

Vida em cores

Vejo a vida como um filme, onde identifico personagens e atribuo características e personalidades. E pronto. Logo estamos dentro daquela caixa sufocante e no ato, todos que nos cercam fazem parte do elenco, mesmo que muitos não passem de meros figurantes... não importa, o nome deles passarão nos créditos. Todos serão lembrados.
Passando algum tempo, achei ter perdido de vez o controle remoto da minha vida. Por sorte, o achei embaixo da poltrona...
Como que cansada de assistir às mesmas cenas comecei a zapear desesperadamente, em nenhuma cena ou fala me reconhecia. O desespero foi enorme. Angustiada e apavorada apertei bem fundo o botão de Liga/Desliga, e tudo a minha volta ficou no escuro e eu já não via mais o meu reflexo.
Ainda tonta e sem saber o que estava acontecendo, acordei com um sacolejo infernal. Reconheci o lugar. Estava dentro de um porta-malas. Pensei estar, mais do que nunca, perto do fim. Desliguei-me de vez – não queria ver o meu fim, assim tão de perto.
Sem acreditar pude sentir meu coração bater novamente. A luzinha interna foi acesa. Meu fusível ainda funcionava. E sinto-o melhor do que nunca!
Abri primeiro um olho, depois, lentamente o outro.Com os lábios fortemente apertados esbanjo um sorriso largo e inesperado. Pensei com meus botões: “ainda funciono. Vivo!”
Voltei para casa num segundo. Coloquei-me rapidamente na estante da sala, e suspirando nervosa apertei, delicadamente, o power.
A imagem produzida por mim já é mais harmoniosa.
As cenas já são mais compreensivas, e eu, já me reconheço. Até mesmo minha fala!Tão cedo não me desligarei da tomada. Não mesmo!

quinta-feira, dezembro 20, 2007

À par dos acontecimentos obscuros

Nem sempre participei das festividades pulsantes do meu coração.
Precisava manter-me firme, porém, à distância, contemplava tamanha euforia que provocava um certo pavor: sabendo que mais cedo ou mais tarde todos os fogos de artifício teriam queimado e acabariam perdendo o brilho com o nascer do dia.
Desta vez foi diferente: coloquei-me à frente, vivi os momentos esperançosos, e morri com a desilusão de outros mais.
Permaneci de corpo e alma, festejei por cada sorriso arrancado de seu rosto, chorei por todo abraço demorado e perdi os sentidos em cada despedida.
Fiquei à espera.
Amanheci a cada dia lutando para um renascer próspero, mas, tu te ias e eu jamais percebi a distância.
Tampouco compreendo esse vazio que rompe em pranto o silêncio da madrugada.
Nem mesmo posso sentir a brisa vinda das janelas abertas. As portas foram lacradas, e a luz já não ilumina como antes.
O vazio se torna teimosamente solitário, porém, solidário com o tanto que sente e sofre e pesa.
Perdendo em si os sentidos. Internamente.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Um vazio preenchido de esperança

Não use mais palavras categóricas de rimas fáceis e de clichês baratos.
Não será mais necessário aproveitar-se das mentiras para usar do meu amor.
Com mentiras ou não, ele ainda vibra ansiosamente harmônico por ti.
Com as mesmas perspectivas frustradas ainda deixo a porta encostada.

sábado, dezembro 15, 2007

É melhor assim

É melhor não ver.
Fingir não ver ou sentir.
Melhor esquecer.
Melhor desistir,
E não mais insistir.

Vai ser melhor assim.

domingo, dezembro 09, 2007

Desilusão

Entre dias e noites, realidade ou não, muitas vezes a presença doce e angustiante - de certa forma - da ilusão te traz algo de bom. Amarga na maioria das vezes, mas o gosto dela, na minoria restante é docinha, talvez por ser, erronia ou não, por ser confundida com a esperança. Confundida com a luzinha brilhantemente acesa no final do tão desesperador túnel; tanto faz. Sinta-se acompanhado.

Ela está do seu lado, finge em te fazer companhia, e de súbito e sensivelmente derrotado você aceita-a, e então... palpitar do coração felizmente agoniado, a agitação é tanta que o seu sangue corre desesperado pelas veias, te dando a sensação de ter sentado num formigueiro das pequenas e mais ardentes espécie de formiga.


Você se coça e o desespero sorridente aumenta. O fôlego parece fugir. Falta de ar!Então, quando tudo fica escuro, e depois do baque, você volta a si e percebe que tudo aquilo de antes, agora, mais acordado, mais são, você recebe a prova de que a esperança estava vestida, e como não dando mais para camuflar-se a companheira e tão temidamente encantadora desilusão surge, apagando a luzinha que já estava na penumbra, no fim do túnel. E numa explosão de delírios de estilo metafísico - além do que se possa imaginar e muitas vezes compreender - ela começa de novo, e a amiga e gentil ilusão esperançosa não te abandona.


Contando as últimas moedas para a passagem de ônibus, retorna-se para a surrealidade que faz borbulhar esperança e um tanto de fé no coração enfartado.


– Por favor! recarregue as pás, será preciso ressuscitar esse corpo, ainda há tempo para novas desilusões.

sábado, dezembro 08, 2007

Um pouco mais de calma

É numa hora como essas que o que a gente mais deseja: é de um descanso na sombra, uma brisa leve e tranqüila balançando os fios rebeldes dos cabelos soltos; tudo mais silencioso e um gole de água fresca. O momento presente e futuro requer - com muita súplica - requer calma, força, ânimo, atenção e paz.

É preciso passar por essa tumultuada experiência para que no futuro, ainda distante, seja sentido num suspiro demasiadamente contente e brevemente seguro.

Enquanto isso, esquivo-me da angústia.

sábado, dezembro 01, 2007

Ausência

"As palavras que a mim pertenciam esvaiam-se com as noites de sono mal dormidas e de amanhecer exaustivo. Lamentam-se incansavelmente diante do nada absoluto e enjoativo de minha mente tórrida que tenta despreocupar-se das preocupações decorrentes: em ter uma árvore seca no jardim da frente e dos risos distantes que a lucidez não deixa sentir."

quinta-feira, novembro 29, 2007

Como era de se esperar

Mesmo que exista distância, mesmo que talvez não mais nos vejamos... nada irá embora assim, sem mais nem menos. Não será repentina como a tua saída. Nem mesmo que sofra, que chore, digo que posso até sorrir: guardo as mais bonitas lembranças de fatos nunca existentes. Eu as guardo porque assim, posso sorrir. E alguma coisa real guardar de ti, esperança.
Criei um mundo para nós, mas a estrada que nos levaria até ele, havia dois caminhos e cada um seguiu o seu.

domingo, novembro 25, 2007

Ontem

Estive a perambular por caminhos de intenso fervor vão e de baixa harmonia luminosa. Estive a lembrar constantemente de cenas ilusórias que não me pertencem mais - elas nunca haviam me pertencido, bem na verdade - criei nomes, sentimentos e lugares para isso. Lugares que elas nunca os habitaram. Colhi rosas nos jardins encantados dos sonhos. Girei contente no meio daquela imensidão de grama. De verde timidamente único. Suspirei estonteantemente resoluta vagando naquele labirinto de desencontro.

E o tempo escureceu. As nuvens carregadas anunciavam a chegada de uma estrondosa tempestade. Mesmo assim, eu permaneci ereta naquele verde encantador. Permaneci delirante em busca de alguma saída possível daquele labirinto, que foi ficando estreito, estreito, estreito... suas paredes sufocavam-me. Com muito esforço pulei um dos muros, parecendo uma fugitiva da polícia, pulei um dos muros com cuidado para que ninguém percebesse tamanho feito. Ao cair: consegui manter-me firme nos dois pés, para alivio e contento de minha parte fogosa. “Estou forte”, imaginei suspirando. De começo, a queda foi de alívio, teve lá sua importância de significado ímpeto. Mas depois, de intensas lembranças, pude então, sentir o baque dos pés encostando brutalmente o chão frio e cheio de cacos de vidro.
Feri-me profundamente. Doeu muito, apesar do corte superficial.

Cobri as feridas estancando o sangue, calcei um sapato, e continuei o meu caminho.
Com todas as dores barradas e sentindo-me um pouco mais suscetível ao momento, deixo-me presa a letras e números, compondo frases e resolvendo problemas aritméticos. É preciso sair da ilusão, a queda é dolorosa, mas não tão violenta: fosse continuar com tanto pesar de ânimo em decadência.


Mudanças de planos, caminhar afoito pela estrada passageira da vida, náuseas, pesares, sorrisos, e lágrimas seguem na existência permanente da indecisão intragável de um ser absolutamente molestado pela indiferença e pela falta de sentir-se do lado de fora.
E depois tudo volta a fluir com a lentidão de um doce e despretensioso sorriso benevolente.
 
(sugestão de título:aceita)

segunda-feira, novembro 19, 2007

Lembranças

(Dedicado às minhas solitárias lembranças.)

S
abe aquelas palavras não ditas? Guarde-as no fundo de tuas lembranças. Queria que elas fossem as últimas a serem esquecidas quando o tempo passar, quando a pele enrugar e quando você não mais lembrar nem mesmo qual é o meu nome.

Desejaria que elas ficassem dentro de ti. Eternizadas ou não, mas dentro de ti. Seja por um tempo mínimo, seja por qualquer algumas duas horas, mas que você as lembre.

E quando isso acontecer, quando essas lembranças esbranquiçadas surgirem, ao menos dê um sorriso. Mesmo que tímido e quase o negando. Mas sorria mesmo assim. 

Estarei aqui ou aonde for, mas, estarei recordando dos momentos aqueles que nunca tivemos. Lembra deles? Seriam lembranças de manhãs e noites felizes. De risos soltos pelo ar, aquele riso incontido que doía a barriga de tanto prazer ao gargalhar. Lembrarei também das muitas brigas superficiais que teríamos. E como brigaríamos por nada. Lembra disso? Daquela vez: em que quase tudo foi por água baixo por causa de um mal entendido? Lembra? Como ríamos depois de tudo ter se esclarecido. Riamos durante semanas.

E da casa com jardim na frente? Como brincávamos e ríamos as custas dos outros que sonhavam com esse mundinho ilusório de perfeição. Ríamos porque também desejávamos. E como desejávamos! 

Talvez eu não lembrarei mais das ruas por onde andei, nem dos lugares que muito conheci, muito menos do que foi de almoço no dia de amanhã... Mas saiba que: eu irei rir, sozinha ou não, irei rir do quanto fomos... Dos sorrisos e das lembranças saudosas que nunca vivemos. E mesmo assim, seríamos felizes de qualquer jeito.